quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sketches de luxo!

Eu sou fã incondicional d'Os Contemporâneos. É óbvio que há sketches mais bem conseguidos do que outros, mas estes senhores conseguem fazer algo inesperado todas as semanas. Gosto muito do absurdo, do inusitado, mas principalmente do humor politicamente, socialmente, moralmente e religiosamente incorrecto. Já era tempo de alguém nos dar semanalmente doses de humor sem qualquer tipo de tabus. Deixo aqui os vídeos de dois sketches do passado domingo e que considero excelentes! Aliás, os momentos musicais e coreografados d'Os Contemporâneos são sempre brilhantes.


"O Costume para o Sr. Engenheiro" (I)


"O Costume para o Sr. Engenheiro" (II)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Quem canta assim...

Não há muitas palavras que possam descrever o grupo, a música e o vídeo... E as que existem, não me consigo lembrar delas agora. Prestem atenção aos pormenores todos e reparem no final do vídeo. É, hã, como dizer... estúpido!


Conjunto Típico Francisco Gouveia - "Português Americano"

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Eu gostei do The Dark Knight – e agora?

Então, é assim: fui ontem ver The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas) o tão aguardado filme deste Verão realizado por Christopher Nolan e com o argumento dele e do seu irmão Jonathan, tendo por base a personagem criada por Bob Kane. Fui vê-lo com dois gerentes cá da Pensão e quem ler os comentários do "post" colocado pelo horned_dog relativo ao "hype" em volta do filme, já terá uma ideia da opinião deles. A minha é um pouco diferente... (Em relação a isto, peço ao horned_dog que diga de sua justiça – assim que vir o filme, se é que ainda não o viu – o que achou daquelas cerca de duas horas e meia.)

Quero esclarecer duas coisas, antes de prosseguir:
1.ª como já perceberam, o que vou dizer reflecte única e exclusivamente a minha opinião – não se trata da opinião consensual do blogue;
2.ª é provável que durante o texto apareçam alguns "spoilers" (vou tentar não abusar), pelo que se há alguém que ainda não viu o filme, é melhor ter algum cuidado.

Eu gostei do filme. (Mais do que Batman Begins.) Não vou fazer comparações entre ele e o 1.º (nem o 2.º) de Tim Burton. Não vou por aí. São abordagens diferentes. (Além disso, dada a grande admiração que tenho por Tim Burton e pelo seu trabalho, dizer mal destes é, para mim, um sacrilégio.) Além disso, mesmo que considerasse este superior, não se pode negar que este só foi possível graças ao trabalho que já foi feito, à visão que ele já teve. O facto de Tim Burton ter realizado os primeiros da forma que o fez, condicionou, obviamente, tudo o que veio posteriormente – o bom (Nolan) e o mau (Schumacher).
Como já disse, gostei do filme. Gostei muito da interpretação dos actores (Heath Ledger é, verdadeiramente, brilhante; todos os outros muito bons; não achei brilhante Maggie Gyllenhaal – acho-a superior a Katie Holmes, mas faltou ali qualquer coisa...), gostei bastante da intriga em si (já li diversas vezes que em certas alturas lembra a trama policial de Heat de Michael Mann, mas quanto a isso não posso falar; ofereceram-me o filme a semana passada e ainda não o vi – eu sei, "shame on me"), gostei da fotografia (o filme está um pouco envolto num cinzento, é um pouco escuro, mesmo quando há luz, e mesmo as cores das roupas e pinturas do Joker são, apesar do colorido, um pouco sombrias) e gostei das chamadas cenas de acção (quanto a isto, não posso falar muito – não sou verdadeiramente fã de filmes de acção e não tenho grandes referências. Concordo com o Curufinwë que acha que algumas cenas são confusas, com constantes mudanças de plano, o que impede um acompanhamento das personagens. Mas acho que a perseguição que envolve o Joker a conduzir um camião e o Batman numa mota é muito boa. Opiniões...). Só por isto que enumerei, não tinha qualquer relutância em atribuir 8 pontos (em 10) ao filme.

Mas há lá coisas que acho mesmo interessantes e é por elas que acho que o Sr. Nolan fez um óptimo trabalho:
– o Batman está ligeiramente diferente neste filme: está mais agressivo, mais cínico, quase nunca sorri/ri, por vezes desiludido consigo e com o herói (?) que criou, ou seja, mais humano;
– a dualidade entre o Bem e o Mal, esse tema tão velhinho, tantas vezes revisitado e que continua a fazer todo o sentido hoje; Gary Oldman é extraordinário no papel de Jim Gordon, o polícia virtuoso disposto a fazer tudo o que pode para limpar o crime das ruas de Gotham. Um homem incorruptível, no qual é fisicamente visível o peso da virtude. Apesar dos esforços contínuos e da atenção permanente de Jim, vemos um homem com um ar cansado e às vezes prestes a desistir, fazendo transparecer a dificuldade em manter-se honesto em Gotham; e como contraponto a Jim Gordon quase tudo o resto (mostrando uma balança bastante desequilibrada e realista): a Máfia, os polícias corruptos e Harvey Dent que sucumbe no final;
– certos pormenores que considero bem explorados: 1.º – o facto de Rachel ter optado por Harvey e o filme ter fugido ao "cliché" típico da mocinha que fica com o herói, contra tudo e todos, o que revela um maior grau de maturidade da personagem; 2.º – o desfecho escolhido para Rachel, porque apesar de ser previsível a escolha que Batman fez (salvá-la), serviu para mostrar um pouco mais da mente do Joker (que deu uma informação errada); 3.º – a carta que Rachel escreve a Bruce, o facto de pedir a Alfred que a entregue no momento certo, momento esse que ele saberá quando chegar e o facto de Alfred nunca a entregar pois sabe que, dadas as circunstâncias, esse momento jamais chegará e sabe também que aquelas palavras teriam, obrigatoriamente, um papel crucial na destino de Bruce e também de Batman e, consequentemente, de Gotham; 4.º – Lucius Fox, o cientista que acompanhou Bruce desde o início, ajuda-o a desenvolver alguns "gadgets" que lhe serão muito úteis, mas decide afastar-se pois algumas das atitudes de Bruce comprometem os seus valores, o que revela a sua verticalidade moral; 5.º – a cena dos barcos: o facto de todos estarem revoltados e decididos a mandar o barco "rival" pelos ares (a ponto de quase lincharem os opositores), mas de nenhum ter a verdadeira coragem de rodar uma chave parece-me muito realista (marca bem a diferença entre falar e fazer);
– e claro, o Joker! Brilhante interpretação de Heath Ledger. É, sem dúvida, a figura do filme: as roupas desalinhadas e sujas, o andar e a postura desengonçados – até desajustados –, o cabelo atrapalhadamente repulsivo e os tiques, meu Deus, os tiques! O constante morder e molhar dos lábios, a língua nervosamente fora e dentro da boca, os olhos revirados que nem sempre focam o outro, o gaguejar oportuno e o riso desconcertante. É uma figura terrível porque como ele próprio diz é um "agent of chaos". E é isso que é assustador: até ele aparecer a cidade estava a ferro e fogo com a Máfia, mas é verdade que com a Máfia podia bem a polícia e Batman. São vilões com rosto, com objectivos definidos e com regras (as deles, mas regras). E então surge Joker. Como ele diz "this town deserves a better class of criminals", alguém que não esteja ocupado a elaborar esquemas, alguém que não siga as regras, alguém que não tenha por objectivo o poder e o dinheiro. Ou seja – ele! Ele é a verdadeira anarquia, o caos, é um terror que como não tem regras, é imprevisível. Não tem um código de ética como os restantes mafiosos (e isso vê-se quando dá indicações do paradeiro de Harvey e de Rachel) e é por isso que, a partir de certa altura no filme, a Máfia deixa de ser a maior preocupação da cidade. Para mim, é brilhante o facto de não recorrerem à típica psicologia de algibeira para explicar este Joker: nada de teorias freudianas envolvendo o pai ou teorias pseudo-românticas envolvendo desgostos amorosos. Apesar disto ser sugerido – e isto é que é interessante. Ele inventa estas duas possíveis desculpas em ocasiões diferentes e com isto mostra que não é o resultado do que lhe fizeram. Pode ser ou não... Ele simplesmente é assim. E deixa-nos a pensar que talvez pudéssemos ser nós. Como ele diz "what doesn´t kill you makes you...stranger". E esta?

Por isto que enumerei aqui daria um 9/10. Isto já daria uma média de 8.5... Este não é um dos filmes da minha vida. Mas é um dos melhores filmes baseado em "comics" que já vi. E não nos esqueçamos que é a essa categoria que ele pertence – apesar de nos fazer pensar em questões bem pertinentes. O Sarcaustico dava o exemplo de American Beauty e Iron Man como sendo bons filmes – concordo. E qual deles é melhor? Poder-se-á dizer sem qualquer dúvida que o 1.º é melhor que o 2.º? Ou são dois bons filmes cada um na sua categoria? Fala-se muito do valor do 1.º Terminator, do 1.º Aliens, de Star Wars... E realmente cada um deles tem a sua importância no mundo do cinema, revolucionou a categoria em que se insere. Mas e se os compararmos com o Citizen Kane ou O Padrinho ? Será justo? Não me parece... Eu gosto de Leonard Cohen, de Arcade Fire e de Muse. Posso dizer que Arcade Fire não é grande coisa comparados com Cohen... É justo?

Enfim, gostei do filme. E gostei da ambiguidade relativa ao final do Joker: alguém sabe verdadeiramente o que lhe aconteceu?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Tourada ou a abstracção dos números?

No dia 22, do mês Julho, no ano da graça de Nosso Senhor de 2008, durante a pausa laboral consagrada no Código do Trabalho, estávamos nós a roer umas tostas em frente ao “demónio televisivo”, onde, na TVI, era emitido o programa da manhã. Fracos de espírito como somos, sem uma vontade férrea que nos dotasse de energia para mudarmos de canal (facto a que a ausência de um comando nas imediações também não será alheia), lá fomos vegetando face ao ecrã, até, do habitual rodapé de estática comunicativa, sermos confrontados com a impossibilidade numérica que passamos a citar:

“Goucha, a tourada não tem lógica no século XXL.”

Ao invés de sucumbirmos a facilitismos e descartarmos esta construção linguística como paradigmática de uma (habitual) tacanhez colectiva, preferimos atribuí-la a um individualismo superior e tentarmos, humildemente, especular sobre as suas origens.
Que a aberração tauromáquica, na sua existência anómala, não tenha lógica, afigura-se-nos lógico e potencia a evidência de uma elevada acuidade ética. Que a exactidão matemática reflicta, subtilmente, uma relatividade cronológica, revela-se, de forma incisivamente polémica, como um paradoxo de abstracção conceptual.
Partindo desta premissa, avançaremos como única hipótese viável, neste momento, a possibilidade do sujeito emissor de tal mensagem ser um caminhante no tempo, ignorando, no entanto, qual o fluxo temporal que melhor se lhe adeque. Será ainda relevante questionar, embora se nos escape a resposta, quando teria sido emitida a dita comunicação e se, porventura, o seu autor seria vivo (ou mesmo nascido) aquando da recepção ou, simplesmente, deslocado entre as Eras.
Desta forma, somos conduzidos a uma conclusão, fundamentada na análise dos dados que pudemos apurar: dada a teórica evolução moral e tecnológica, alicerçada nos traços em observação, do sujeito em questão, a existência deste só poderá ser alienígena, em essência.

Estaremos, certamente, a lidar com algo no limiar da nossa realidade, absolutamente fora da nossa esfera de conhecimentos.
Não nos surpreenderia se na Praça da Alegria, da RTP1, nos fosse revelado que tudo o que temos como certo está errado...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O mestre Miyazaki está de volta!

O mais recente filme do mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki (Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro, O Castelo Andante, entre muitos outros) estreou no Japão no último fim-de-semana. Chama-se Ponyo on the Cliff by the Sea. Espera-se que seja distribuído nos EUA lá para o final deste ano. Quando chega cá, ainda não se sabe. Por enquanto, temos o trailer. Está em japonês, mas isso não é entrave para que se possa apreciar a mais recente criação dos Estúdios Ghibli. Ora vejam lá!

Pensamento do dia # 4

"Antes de se terem lembrado que as mulheres podiam ir à tropa, comigo já elas marchavam todas."

Zézé Camarinha, macho latino (?) português

Novo trailer de The Spirit

Eu gosto...
Já se sabe que, visualmente, é bem diferente da BD de Will Eisner. Quanto à história, temos de esperar para ver. Esperemos que Frank Miller saiba o que está a fazer.
Para já...eu gosto...

domingo, 20 de julho de 2008

"Miss Finch"


Originalmente publicado sob a forma de conto, na premiada antologia de textos de Neil Gaiman, Smoke and Mirrors: Short Fictions and Illusions, The Facts in the Case of the Departure of Miss Finch vê agora a sua adaptação para banda desenhada pela mão do ilustrador Michael Zulli e de Todd Klein (que adaptou o argumento), publicada pela Dark Horse.

De forma muito sucinta, a história desenrola-se nos subterrâneos de Londres (alguém se lembra de Neverwhere?), onde um grupo circense, de nome "The Theater of Night's Dreaming" (e de The Sandman?), vai apresentando a sua exibição (cujas atracções são executadas, em grande parte, de forma pouco convincente) a um conjunto de espectadores, que vai sendo conduzido de galeria em galeria, consoante o espectáculo se vai desenrolando. No decurso de um dos números, "Miss Finch" (colocado entre aspas porque, como as personagens mencionam frequentemente, este não é o seu verdadeiro nome) desaparece - revelar o que quer que seja mais estraga o enredo.

Vários são os escritos de Gaiman transpostos para banda desenhada (não consigo esquecer o extraordinário Creatures of the Night, também ele ilustrado por Zulli). No entanto, não seria honesto dizer que esta história é fantástica. Não o é. Talvez a adaptação não fosse a mais correcta (a ilustração, por seu turno, não é o melhor que Zulli já fez), talvez a história fosse menos inspirada. Quem não conhece o autor, provavelmente, vai ficar satisfeito com o livro, por isso recomendo-o; quem conhece, poderia esperar um pouco mais.

Não posso terminar, no entanto, sem referir que Neil Gaiman é o meu autor de BD favorito e um dos escritores que mais respeito, pelo seu imaginário único. Mesmo que The Facts in the Case of the Departure of Miss Finch fosse o meu primeiro contacto com a sua obra, pelo abismo qualitativo que existe entre esta e as demais bandas desenhadas que por aí grassam, ficaria cativado.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bota aí mais um...

Já que estou numa onda de cinema e comics, cá vai o trailer do novo filme de Zack Snyder (de "300") - "WATCHMEN" <--- clicar aqui!

Não posso tecer grandes comentários, mas visualmente parece-me uma delícia. Resta saber o tratamento que a magnífica graphic novel recebe, nesta transposição para o cinema...

Podem ver mais aqui.

quinta-feira, 17 de julho de 2008