segunda-feira, 24 de março de 2008

Smack Down



Acho que já toda a gente viu estas imagens. E não há muito a dizer... É lamentável e revoltante! (E pensar que um dia cheguei a ponderar a hipótese de dar aulas...) Um bom par de estalos nesta rapariguinha era capaz de resolver parte da histeria demonstrada. E quanto aos outros colegas, igualmente inergúmenos.
Diz-se que a mocinha ficou neste estado porque receava que a professora lesse as suas mensagens privadas. Como se fosse possível descodificar aquilo a que estes espécimes chamam de escrita. Mas a pensar nesta gente que, a ver pelas imagens, não prima muito pela inteligência, acho que vou traduzir a minha opinião sobre o vídeo, não vá algum deles, vir cá parar por engano:

Axu k xá td xente viu extax imagex. I ñ á mt a dixer... É bué down! I penxar k 1 dia xegei a penxar xer prof, fónix... 1 par d xapadas nu fuxinhu da pita aver xe n1 xe calava. I us culegas, bué tótós...

OK. Agora as pessoas com um QI, sei lá, de pelo menos 80, tentem ler isto... Digam lá, não sentem que estão a tentar comunicar com bebés? (Olá. Extáx bom? Xim? Bilu, bilu, xu-xu...) Eu tenho uma filha com três anos e nem com ela tenho conversas tão acéfalas!

Tenho muito receio do tipo de gente de daqui a uns anos vai ser a consciência social e política deste país. E também daqueles que um dia vão ser professores... Muitos destes “meninos” que hoje armam peixeiradas, agridem os professores, (mas ficam traumatizados, coitadinhos, se um professor lhes levanta a voz, se é muito exigente - Ah sacana! A querer ensinar-lhes coisas, a tentar fazer deles pessoas mais instruídas. Não se faz! -, ou lhes dá a chapada que deviam ter levado há algum tempo), vão conseguir entrar numa faculdade e ser, no futuro, professores – sim, neste país, isso é mais do que certo! Mas enquanto isso não acontece, convém começar a controlar estas criaturas. Não me parece que seja possível, mas para mim a expulsão era o caminho certo para esta menina histérica. E um anito ou dois a limpar as casas de banho da escola não lhe fariam mal nenhum...

Diz quem conhece bem o meio escolar que estes casos proliferam. É por estas e por outras que, hoje em dia, o currículo daqueles que optam pelo ensino deveria ter Defesa Pessoal como uma das cadeiras obrigatórias. Talvez os alunos pensassem duas vezes antes de se armarem em rambos.
Li, há algum tempo, uma crónica do Ricardo Araújo Pereira e, nela, ele sugeria que se começassem a contratar ciganos para professores. Em primeiro lugar, estão habituados à vida nómada e, portanto, mudar de escola todos os anos não seria um problema. Além disso, aqueles pais trogloditas (que amam muito os seus filhos e estão prontos a demonstrar esse amor, sempre que isso envolver sarrafada da grossa, de preferência em pessoas que tenham uma profissão considerada social e culturalmente superior – ou seja, toda a gente) que adoram resolver as coisas “à homem” e “à antiga” provavelmente pensariam duas vezes antes de ir tirar satisfações com o professor que chamou a atenção “ao meu mais novo” ou mandou para a rua “a minha Jessica”. Bem vistas as coisas, é capaz de ter razão...

2 comentários:

Espigõum disse...

Xim êu tmbm axu, k debiam, pore xchigánuz nax xcólax. Néim k foçe pa montáre 1ma màfia k'íntimidá-ce us chabálus!!!! Aí elx bíaum!!!!!!

Bem, eu tenho uma opinião mto parecida com a tua.
O pior é que agora com as pseudo-avaliações que andam a prometer no ensino (para professores? não sei muito bem ao certo o que se passa..), fala-se que a tendência vai ser os professores darem positivas a tudo o que é ra(m)bo, para não levantarem ondas, e não porem em risco a sua colocação...
Isto daqui a uns anos vai estar bonito vai.

Há um ano e meio parecia ser um patriota crédulo que acreditava que com a força de vontade comum podíamos despontar no país pontos de interesse variados que promovessem não só a nossa história, como a nossa capacidade.
Hoje em dia não sei...

Espero que o Sócrates saiba o que está a fazer.

: (

Soneca disse...

Compreendo perfeitamente! Quando entrei na faculdade, entrei com a cabeça cheia de ideias e boas intenções. Quando tinha cerca de 14 anos vi O Clube dos Poetas Mortos (que ainda hoje muito aprecio) e pensei que dar aulas era a minha vocação. E durante muitos andava com aquelas imagens e palavras na cabeça para dar ânimo. Só que nós não estamos em 1959 e colégios daqueles não proliferam por cá. Além disso, não consigo imaginar os alunos de hoje a colocarem-se em cima das mesas para defender um professor, arriscando a expulsão – talvez se pusessem em cima das mesas para saltarem para cima do professor...
As coisas mudaram – ainda bem e ainda mal! Eu sei que pôr as culpas do Governo é comum – e não digo que não seja em parte verdade. Não tenho qualquer simpatia pela actual ministra da Educação. Acho-a uma senhora extremamente perigosa e o ideário dela parece-me encaixar perfeitamente num governo salazarista. Mas não sei se este será um problema assim tão “socrático” (não é que tenha alguma simpatia especial por José Sócrates...). Parece-me um problema cultural e social – o ritmo de vida de hoje obriga os pais a passarem cada vez mais tempo no trabalho (o que me choca profundamente) e acho que esse sentimento de culpa os leva a uma educação baseada no materialismo, no excesso e na permissividade (independentemente da classe social). Isso traz consequências que passam para a escola (também).
Pelo que nos é dado a conhecer pela história, os estudantes que fizeram parte da revolução de 74 também se rebelaram contra os professores com ideais de extrema-direita. Mas não me parece que, mesmo estando em causa valores tão elevados como a liberdade, cenas como esta tenham acontecido...
A minha mãe dizia que o respeito é uma coisa muito bonita. Mas se não temos cuidado vai passar a ser uma coisa do passado...

Ok. Isto está muito sério, não é? Basicamente concordo com o tu dizes e tenho algum receio do que o futuro nos reserva. A ver vamos...