terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Abe Sapien - The Drowning


Já está disponível num único volume, pela chancela da Dark Horse, a série intitulada Abe Sapien – The Drowning, inicialmente publicada em 5 números pela mão da mesma editora.

Numa história que poderia ser, facilmente, protagonizada pelo B.P.R.D. (Bureau for Paranormal Research and Defense) como se tornou um hábito, Mike Mignola – aqui argumentista – optou por, neste caso, evidenciar a personagem de Abe Sapien numa investigação que, salvo um imprevisível e desconcertante auxílio externo, leva a cabo a solo.

Para quem não sabe, Abraham Sapien é um efectivo, de idade desconhecida, do B.P.R.D., grupo responsável pela descoberta, educação e revelação ao mundo do demónio Hellboy (personagens que, aliás, rivalizam na minha lista de preferências), de quem, a par do Professor Trevor Bruttenholm, Abe se considera pupilo. Sendo meramente humano, Langdon Everett Caul, um magnata do século XIX, é vítima da influência de uma entidade aquática de cariz sobenatural, acabando por se tornar uma criatura anfíbia, bípede e cognitiva, um icthyo sapien. É encontrado cerca de 100 anos mais tarde, numa espécie de animação suspensa, dentro de um cilindro com água, rotulado “14 de Abril de 1865” – o ano do assassinato de Lincoln. Destas características vai extrair os seus novos nome e identidade: Abraham Sapien.

Em The Drowning, passado em 1981, após uma ausência por tempo indeterminado de Hellboy, ascendendo já a 2 anos, um inexperiente Abe é enviado à ilha de Saint-Sébastien, a oeste da costa francesa, numa simples missão de recuperação de um lendário objecto naufragado. Rapidamente misturando um investigador victoriano do paranormal, um bruxo holandês, um mártir cristão, uma população padecendo de lepra, um obscuro artefacto tibetano e a ancestral filha de uma divindade marítima, de forma aparentemente desconexa, mas cuja coesão vai buscar ao desenlace da história, o enredo cedo se mostra superior e críptico demais face à experiência de Sapien que, inevitavelmente, se transforma num peão das forças escondidas na periferia da sua (e da nossa) compreensão, ao mesmo tempo que mais alguns poucos aditamentos vão enriquecendo a sua própria enigmática origem.

Numa reviravolta artística, os desenhos ficam a cargo do excelente Jason Shawn Alexander – autor de Damn Nation, por exemplo, também pela Dark Horse – cujo traço actual o aproxima de um estilo mais independente, ao passo que as cores continuam a ser do imperativo e multi-galardoado Dave Stewart. O argumento (e a capa), como já referi, é da autoria de Mike Mignola.

Abe Sapien – The Drowning não é original para quem está habituado ao universo do B.P.R.D. e deste tipo de imaginário, mas é exactamente o que se espera: imersivo, soturno, carismático e estimulante. As correlações entre mitologia, folclore e imaginação denotam um génio inventivo e, culturalmente, significativo. Se o fosse (original, entenda-se), deixaria de ser o que é para ser outra coisa qualquer.

1 comentário:

Soneca disse...

As imagens são tão bonitas e cativantes! E do pouco que conheço da personagem, o Abe Sapien parece ser muito interessante
e enigmático...