quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pesos pesados e problemas do coração

Definitivamente há coisas que não consigo entender...
Em relação a algumas, como o primeiro caso, cheguei à conclusão de que o entendimento não tem nada a ver com o jogo.
Em relação a outras, como o segundo, acho que não há mesmo nada a entender...

1.º
No que respeita a perceber as mulheres, suponho que foi Oscar Wilde quem mais se aproximou com a seguinte frase:
"As mulheres não são para serem entendidas, são para serem amadas."
Não quero, e penso que ele também não queria, indicar alguma falta de inteligência no "belo sexo" com tal frase. Simplesmente achava, como eu acho, que nunca estamos a jogar exactamente o mesmo jogo. E por mesmo jogo entendo o mesmo jogo com as mesmas 78 regras, regras bem precisas e canónicas, invariáveis desde o paleolítico inferior.
Basicamente o homem pensa que vai participar numa saudável luta de Ju-Jitsu e acaba por ser posto fora de combate com um arremesso de Aikido. Se pensa que vai lutar Aikido a mulher acaba por sacar de uma pistola e furar-lhe a bexiga, como o desgraçado no filme do Indiana Jones. Porque ela quer ser a única a sair de pé no final do jogo, custe (ao homem) o que custar.
Quando, por exemplo, uma mulher se zanga com o facto de demasiado dinheiro ter sido gasto pelo homem numa cobertura para os bancos do carro com o dístico da marca, a coisa funciona assim:

1-Homem contra-ataca com um argumento lógico.
2-Mulher esquiva o argumento lógico ao lembrar que já há muito tempo que a arca frigorífica está a verter água.
3-Mulher apanha homem em desequilíbrio e aplica-lhe um pontapé no amor próprio com um formidável "já não és o mesmo homem que conheci há 20 anos".
4-Homem placa a pancada ao dizer "seria o mesmo homem se não me tivesses mudado pouco a pouco nesses mesmos 20 anos".
5- Mulher tenta uma lesão simulada que o leve a abrir a defesa recorrendo ao famoso golpe do "E tu já não olhas para mim como antes".
6- Homem aproxima-se para muito desportivamente ver a lesão do adversário e recebe o golpe* final: "E eu sei o que tu estiveste a fazer a semana passada!".
SENHORAS E SENHORES!! NESTE CANTO, DE CALÇÕES BRANCOS DE MUSSELINA E PESANDO 46 QUILOS A TETRATETRATETRA CAMPEÃ E ACTUAL DETENTORA DO TÍTULO MUNDIAL E DONA DE UM K.O. FULMINANTE... EU MESMA A MUUUULHEEEEEER!!!!!!!!!!´

*Um golpe sujo e que não vem nos livros mas como ela também é o árbitro... que se lixem os livros!

E bem mais tarde, em convalescência no hospital, e através da câmara lenta na televisão da nossa ainda confusa e sedada memória conseguimos perceber o que se passou: é que não interessa se fizemos algo ou não na tal semana, porque a verdade é que estamos sempre com tantos problemas de consciência para agradar a quem nos ama e atura, que assumimos ter realmente feito algo gravíssimo, nem que seja a autoria do ataque a Pearl Harbour, por exemplo. E damos por nós a devolver a mais bonita cobertura de bancos do mundo... pela 43.ª vez.

2.º
Basicamente o gajo que está a escrever estas linhas desperdiçou 32 anos de vida. Por desperdiçar, entendo o facto de ter cheirado a laranja e não a ter comido antes de a ter deixado apodrecer a 32% (assumindo que viva até aos 100). E o problema é que, com 32% de fungos, o resto da laranja estará rapidamente incomestível. É que a vida não acaba aos 94 (ou aos 100) com uma síncope cardíaca frente a uma estação de serviço na manhã de um Domingo chuvoso de Outono. Acaba aos 30 e meios com a maior parte das portas da nossa casa (ou vida...) permanentemente entijoladas, como naqueles prédios tão "bem" estimados pela C.P..
Obviamente que existe quem consiga manter esse prédio bem conservado e caiado ao enchê-lo de memórias e gente e ampliações e basicamente ... vida. Mas quem não o fez até aí já não o vai safar, uma casa vazia degrada-se sobrenaturalmente depressa.
Obviamente todos concordarão que não se deve prender ou matar uma pessoa que desperdice essa laranja.
Mas e se eu matasse ou mutilasse um fulano com 32 anos? Se o atropelasse simplesmente por que me apetecia ou porque não o tinha conseguido evitar apesar de o ver a uma distância de... 32 anos? No mínimo dos mínimos deveria ser preso, certo? E agora pergunto eu... qual a diferença? E se me responderem "Mas a vida do outro fulano não é tua" eu digo muito simplesmente: Mas não são essas duas vidas igualmente preciosas independentemente de quem as "vista"? Teremos o direito de acabar com qualquer uma delas?
Não há justiça neste mundo... numa sociedade normal ou já me tinham morto ou me tinham preso. Assim, deixam-me apodrecer.

3 comentários:

Curufinwë disse...

Não há-de ser assim tão difícil construir uma casa, Frei Bandalho! Até já as há pré-fabricadas!
O segredo (largamente divulgado, aliás!)consiste na terraplanagem do terreno...

Joana Antunes disse...

Hum.....e "TIPIES"? ou aquela versao modernaça que sao....as tendas que parecem os iglos dos esquimos? podemos deixar a porta da tenda aberta para ver as estrelas e deixar entrar as melgas.Abraço estapafurdio

Soneca disse...

Em relação às mulheres, pois... enquanto membro desse grupo, não vou assumir qualquer tipo de posição fraternalisto-fundamentalista! Sim, somos do piorio quando queremos (e quando não queremos). É claro que algumas que têm um retorcido prazer nisso, mas acredita que esta porcaria das hormonas são o nosso pior inimigo.

Quanto à construção da casa, também te aconselho uma tenda. Mas como sabes, fazes permanentemente parte da minha casa. Portanto, sempre que a tua venha a baixo, há sempre um lugar para ti lá na sala :)